quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Zé Geraldo


Finalmente este colaborador da rádio vai falar sobre algo que interessa: música!

Enquanto escrevo estas linhas ouço a versão de Zé Geraldo para Mr. Tambourine Man, do Dylan. ZeGê, como gosta de ser chamado o herói desta crônica, é um dos grandes ícones do que se convencionou chamar de Rock Rural. Na verdade ele é um daqueles trovadores solitários, bem ao estilo de Dylan, que faz uma mistura de folk, música rural, Rock e o que mais lhe der na telha.

Meu primeiro contato com a obra deste magnífico compositor foi na Stoned Discos, ali no Centrão de Porto. Era uma daquelas tardes sem nada o que fazer (na ocasião eu trabalhava à noite e aula...., bem nunca fui muito de ir à aula) e resolvi percorrer as prateleiras de discos sem nada específico na mente, a não ser uma boa quantidade de fumaça. Elvis, Black Sabbath, Casa das Máquinas, Made in Brasil e, de repente, mais de dez discos de um tal de Zé Geraldo.

Aquilo parecia destoar um pouco da paisagem; quem é esse cara? Músicas como Quem nasce Zé não morre Johnny, Galho seco, O pastor e o leão, não diziam nada para mim. Me virei para o balconista e disse: "quem é esse tal de Zé Geraldo?"

O cara arregalou os olhos: "Como assim quem é Zé Geraldo? É o cara do Rock rural porra! Pega um disco aí e ouve."

Dei sorte. Pesquei o disco Ninho de sonhos, de 1991. A primeira música é quem dá nome ao álbum. Lindos versos, poesia de primeira qualidade e Rock, o verdadeiro Rock nacional como trilha sonora:


"Se preocupa com a minha aparência não
Você bem sabe eu posso ser doutor mecânico ou lixeiro, professor poeta, simples artesão
Quem só vê cara não percebe o quanto queima a febre nos encantos do coração
Uma visão poética nesse mundo prático pode vir a ser fatal
Também sei lá se a grana é fundamental


Minha flor
Eu não vou deixar de ouvir a canção da lira que vem lá das bandas do riacho
Vou não
Minha cabeça é um ninho de sonhos
Disso eu não abro mão

E vem um cara e diz que eu sou louco
Que só ando viajando pensando que ainda estou em meia oito
Ainda cantando canções de amor e paz, rapaz
Oh quanto tempo faz, mas...
Tudo a ver"


Toda essa história aconteceu há pelo menos seis anos. E por que escrevo sobre o Zé Geraldo agora? Porque o pessoal que trabalha comigo também conhece o ZeGê, mas ninguém tem um disco do cara. Então, ficamos restritos ao meu Ninho de sonhos.

Mas, eis que ontem resolvi procurar pelo Zé na internet e o cara, que já tinha alta moral comigo, simplesmente simplesmente desbancou todo mundo. Quem entra no site dele já sai ouvindo uma pancada sonora. Mas o melhor é quando o visitante clica em "discografia". Abre-se uma janela com todos os disco do cara. Ao clicar na capa aparecem todas as músicas do disco, que o visitante pode ouvir de graça. Todas as músicas, de todos os discos. Aí está o exemplo de um cara que não está preocupado com a grana e sim com a obra.

Então, toca um ZeGê aí pra galera!

Um comentário:

marcos disse...

bala meu!!
esses tempos assisti um show dele na TVE...
lembro de meiga senhorita...
afudê o som do cara...ñ tenho nada dele, mas vô atrás certo!
é nóis!!