segunda-feira, 18 de maio de 2009

Rock Garagem, o LP que virou história

Em 1979, no Brasil, foi indicado para presidente João Figueiredo, o homem responsável pela gradual e segura abertura política, o que significava que com o tempo a censura a manifestações artísticas que rolava descarada por duas décadas aos poucos desapareceria. Os anos 80, trazendo ventos de liberdade, pelo menos na música, foram de alvoroço no meio musical. Apesar de terem sido decisivos no processo político fazendo com sua música e suas letras o que podiam, ninguém mais aguentava os baluartes da MPB tipo Gil, Milton, Chico e Caetano e os enlatados tipo Lionel Ritchie, Nikka Costa e ABBA, que aqui chegavam estavam com tudo nas FMs. Estava armado o cenário para o surgimento do que veio a se chamar rock nacional. Não aquele bacana, mas já mofado rock progressivão dos Pholhas, da Bolha, dos Mutantes, da Casa das Máquinas, do Vímana e Bixo da Seda, do Tutti Frutti e de Raul, mas sim, o novíssimo rock do Brasil de Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Camisa de Vênus, Ratos de Porão, Barão Vermelho e Ira!. Pode se dizer que tudo começou com a Blitz, que surgiu gravando em 1980, com disco superproduzido. Depois, na segunda metade da década e o Plano Cruzado de Sarney, houve uma verdadeira chuva de discos, muita coisa que está aí até hoje e muita coisa de qualidade duvidosa. Como sempre.

o panfleto do show de lançamento
Em Porto Alegre, bem no início dos anos oitenta, espocavam novos grupos como Musical Saracura, Dzaghury, Câmbio Negro, Cheiro de Vida e Raiz de Pedra, Taranatiriça e Garotos da Rua, isso sem citar várias outras. Uma coletânea gaúcha de bandas locais nos moldes das feitas em São Paulo (Não São Paulo é um exemplo) era uma coisa iminente, e quem primeiro se lançou nesta empreitada foi a gravadora ACIT. Fluxo, Moreirinha & Suspiran Blues, Astaroth, Leviaethan, Valhala, Frutos da Crise, Urubú Rei, Garotos da Rua, Taranatiriça e Replicantes foram as bandas selecionadas. A foto da capa é antológica com todas as bandas reunidas em frente ao Auditório Araújo Vianna, aonde aconteceu o show de lançamento. O som do disco não é uma brastemp, era o que dava pra fazer com o equipamento da época (lembre-se, importação não havia, quem tinha uma Fender ou sabia operar uma mesa era rei !!), contudo o disco tem algumas pérolas divertidas e músicas que viraram clássicos. Eram bandas embrionárias e que influenciaram as gerações que hoje estão pelos estúdios.




o ingresso do show no Auditório Araújo Vianna, na época com acústica maravilhosa, sem a cobertura

A Rádio Ipanema FM, que foi parceira na produção, também foi decisiva pois estourou o disco na sua programação, que na época tocava de tudo, até mesmo fitas demo de quem chegasse no estúdio, bastava um bom papo cabeça com os caras da rádio, que queriam novidades....havia até programa inteiro de fitas demo de novos artistas, e programas feito por ouvintes....e tudo isso fez deste LP uma preciosidade cheia de obras primas que ao longo dos anos vai permanecendo como um dos mais importantes discos lançados na área do rock no país.

9 comentários:

bolagerson disse...

Adorei teu lembrete em releção á momentos epícos de nosso rock sul, pois talvez não estivesse nesse dia, mas com certeza fui á mtos desses antológicos shows no áraujo,Lembro-me da volta da bamdalheira, esse pra mim foi uns dos melhores espetáculosque já curti, tudo começou com um fantástico solo de guita no alto da cobertura do aráujo e teve até participação do foguete, foi como estar no templo do rock;Pena que nosso sonho durou pouco,á falta de sessíbilidade de pessoas um pouco mal informadas, fizeram c/ que tampassem o templo, hoje estasmos a merce de"PEPIS, TEATROS E BOURBONS" pagando valores abusivos e tendo pouca qualidade pra ver, quem sabe agora que estamos entrando no roteiro musical, mesmo que pecando em matéria de música ou melhor de rock, alguem descubra outro templo em que possamos ouvir rock e ao mesmo tempo contemplar á lua que mto foi nossa parceira e que jamais voltará á ouvir aquele som da galera gritando" É TARANATIRIÇA OU ROQUINHO" Pois se sair do papel nosso templo virará mais um lugar de mercenários, que vão abusar da mesma forma que já estão fazendo por lugares da nossa cidade, QUE VENHAM OS ROCKS VIADUTOS, OS MPGS, OS REPLICANTES, OS ELES,E TANTOS OUTROS, POIS ESTAMOS PERDENDO NOSSOS FILHOS PARA UMA CULTURA MUSICAL QUE NÃO DEIXARÁ LEMBRANÇAS.ABÇOS

Frank Franklin disse...

é isso aí bola, a cobertura estragou todo a projeção de som sabiamente arquitetada para aquele lugar. O som ali era maravilhoso e tu fez me lembrar deste show da volta da Bandaliera, do Marcinho Ramos começando o show na marquise, sem fio, alucinante mesmo...são estórias que a gente sente prazer em registrar pois foram momentos marcantes mesmo!

Anônimo disse...

seguinte tenho até hoje fitas K7 do estudio 576 do ricardo barão na antiga band antes de virar ipanema uma beleza......

Ike disse...

Bah uma perola de materia
Muito obrigado por compartilhar essas informacoes/ imagens.
Lembro de ter tocado esse disco no laboratorio de foto na FABICO
Grandes tesouros...

Anônimo disse...

Legal! E depois do show fomos tomar cachaça e cerveja no bar João. As 3 da manhã deu uma briga com um pessoal de Guaiba, brigaram e depois beberam cerveja com os adversários em clima de confraternização. Eram as loucuras da velha Oswaldo Aranha. Os shows eram sempre legais, com Cheiro de Vida, Raiz de Pedra, Os Eles, Astaroth e outros.
Saudades

Anônimo disse...

No show especial em homenagem a J. Lennon, fui preso por desobediencia civil, e o pessoal que lotava o A. V. saiu para a rua e não deixavam o camburão me levar. So depois de prometerem que não bateriam em mim foi que liberaram a viatura para seguir. Dormi até as quatro na décima delegacia, se não me engano, depois fui embora.

Anônimo disse...

Nos shows o Nelson (Coelho de Castro) gostava de mostrar uma garrafa de velho barreiro, que era a bebida oficial dos malucos da Oswaldo. Na maioria estudantes e desempregados daquele regime dos milicos. Mas acho que era 81 ou 82. Ninguem era cocotinha nem vivia em Shopping Center. Ai teve o io da Terra também, morro do Ferrabrás. A banda Voo Livre vinha de Pelotas e antes dos shows tomava trago com a gurizada na lancheria do parque, e o Gerson Schneider batera Porto Alegrense sempre pinta por lá. Bah era muito legal, bem diferente desses shows em que vamos esperar nossos filhos na porta dos pepsi on stage da vida.

RAUL disse...

Também tenho (tinha) fitas K7 do estudio 576 do ricardo barão na antiga band.
Na época, era como "baixávamos" músicas.
Mas estão deixando de funcionar, infelizmente.
Como posso conseguir as trilhas sonoras daquele programa???
Meu Deus, PRECISO daquelas trilhas...

Kicha disse...

Que grande lembrança, tchê! Neste link, dá pra baixar todos os discos: http://nitroglicerina.blogspot.com/2011/12/rock-gaucho.html Já penseu uma reinauguração do novo Araújo Vianna com todas essas bandas? Abração!